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28/06/2012 - 16h35 CPIs - Cachoeira - Atualizado em 29/06/2012 - 09h17

Ex-assessor de Agnelo nega relação com Cachoeira

Anderson Vieira

Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, negou nesta quinta-feira (28) participação no esquema de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CP) mista que investiga esquema de jogos ilegais, corrupção e tráfico de influência, Monteiro disse que não está entre os que receberam de Cachoeira um rádio comunicador habilitado nos Estados Unidos ou foram beneficiados por propina para fraudar licitações ou ajudar na infiltração de integrantes da quadrilha na máquina administrativa do DF.

Mesmo com habeas corpus expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) garantindo-lhe o direito de ficar em silêncio, o ex-braço direito de Agnelo decidiu falar à CPI mista nesta quarta-feira (28). Cláudio Monteiro disse que pediu demissão do cargo para facilitar o prosseguimento das investigações e desafiou:

– Cadê o rádio? É a pergunta que eu faço todos os dias. Se a Polícia Federal gravou todos que usavam este equipamento, só ela pode dizer onde este aparelho está. Não sei, não recebi, não usei. Todos que usaram foram gravados, e eu não fui gravado. Isso, sim, seria uma prova material – afirmou.

Amizade

Cláudio Monteiro admitiu conhecer e ser amigo de duas pessoas apontadas pela PF como integrantes do bando que Cachoeira é acusado de chefiar: Marcello de Oliveira Lopes, o Marcelão; e João Carlos Feitoza, o Zunga. O primeiro foi ex-assessor da Casa Militar do Distrito Federal, e estaria envolvido na tentativa de conseguir a nomeação de um aliado de Cachoeira no Serviço de Limpeza Urbana (SLU). O segundo foi subsecretário de Esportes, e é suspeito de receber dinheiro do grupo e também de ser uma espécie de contato entre o governador Agnelo Queiroz e Cachoeira. Ambos foram indicados por Cláudio Monteiro, conforme ele mesmo admitiu à CPI.

Ao falar dos amigos, Monteiro disse não crer no envolvimento dos dois com Cachoeira, mas disse esperar que eles se defendessem e provassem ser inocentes. Apesar do conselho, tanto Marcelão quanto Zunga preferiram o silêncio, assegurado por decisão judicial, na reunião da CPI desta quarta.

A exemplo do governador Agnelo Queiroz, Cláudio Monteiro negou conhecer Carlos Cachoeira, e disse que jamais o viu pessoalmente. Entretanto, informou ter se encontrado duas vezes com o ex-diretor regional da Delta, Cláudio Abreu, para tratar de assuntos de interesse da empresa e do governo. A Delta, apontada pela PF como ligada ao esquema de Cachoeira, era responsável por parte do serviço de limpeza do Distrito Federal, por meio de contrato assinado em 2007 ainda no governo de José Roberto Arruda. O contrato foi rompido no início de junho, depois que a atual administração detectou irregularidades na execução dos serviços.

– Não conhecia Cláudio Abreu antes, nem sabia que ele tinha relação com Cavendish. Recebi-o na condição de diretor da Delta. Na época, quem poderia dizer em sã consciência que a Delta era inidônea? Isso demandou tempo para ser descoberto, tanto que a polícia investigou por três anos – justificou.

Em resposta ao relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), Cláudio Monteiro atribuiu as menções a seu nome em gravações da Polícia Federal a uma tentativa de “venda de prestígio”.

–Nenhum homem público está livre do uso indevido de seu nome. Mas se eu voltar para vida pública, faço questão de pôr anúncio no jornal dizendo que não tenho procurador, ninguém pode falar em meu nome – disse Monteiro.

Sigilos

O ex-chefe de gabinete ofereceu à comissão de inquérito seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e também os de seus filhos. Apresentou ainda uma declaração da Serasa (entidade de proteção ao crédito) com o demonstrativo das dívidas contraídas por seus filhos para a construção de um prédio na região de Vicente Pires, em Brasília, mostrado em reportagens como incompatíveis com a renda deles.

Elogios

A postura da testemunha acabou sendo elogiada por alguns parlamentares do PT, partido de Agnelo Queiroz, e até pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que reconheceu não haver nenhuma ligação telefônica em que apareça a voz de Monteiro.

Para o relator Odair Cunha (PT-MG), a questão do rádio Nextel, ficou esclarecida, visto que Monteiro não aparece diretamente em nenhuma interceptação.

– Ao que tudo indica até o momento, todas as incursões da organização criminosa no GDF foram realizadas, mas não obtiveram sucesso – disse o relator. Para ele, o contrato do lixo com a Delta, que “não prosperou”.

No fim da reunião, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) disse que os objetivos estão sendo alcançados, com a colaboração dos depoentes.

– Aqueles que não se manifestam são respeitados, mas aqueles que vêm aqui e se explicam devem ser aplaudidos – recomendou.

Vital do Rêgo informou que na próxima semana haverá duas reuniões da CPI: na terça-feira (03/07) para a tomada de mais três depoimentos; e na quinta-feira (05/07), para a apreciação de requerimentos.

Agência Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)